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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Eu, premiada em rádio! Dá pra acreditar?

Parece mentira, mas não é. Eu, com toda essa potência vocal (não?) ganhei o troféu de 1º lugar na categoria Rádiojornalismo do Seminário de Práticas Jornalísticas da FAG ano passado. Claro que, ao meu lado estavam as lindas e amadas Simone Lima e Jéssica Moreira. O prêmio foi tão inesperado que nem ensaiamos o discurso da vitória hahahaha. 

O produto vencedor foi o debate que realizamos com o tema "O Adolescente na Segurança Pública". Como em todo projeto jornalístico, o mais legal foi a produção. Correr atrás dos entrevistados, escrever o script, pensar em perguntas, prever tudo que pode dar errado e já ter o plano B em mente.

Nosso orientador nessa disciplina foi o papito Claudemir Hauptmann, que aterrorizou nossos dias, como é de praxe, não deixou nada ser molezinha pra gente. Até o dia da gravação, não saberíamos quais seriam as duas mediadoras do debate, o que nos encheu de apreensão e incertezas. Afinal, era o primeiro debate radiojornalístico das nossas vidas! E eu e a Simone não confiamos muito nas nossas vozes para rádio, se é que podemos dizer assim... No final, nós duas é que fomos as mediadoras. E, justamente por isso, ficamos muito surpresas e felizes com o prêmio! 

Nosso outro debate, sobre o "Capitalismo Verde" também estava concorrendo ao prêmio, dessa vez com a mediação da Jéssica Moreira e da Maria Fernanda, essas sim com vozeirões. Mas o prêmio ficou com o debate das mediadoras de vozes finas e estridentes mesmo hahahaha


Si, Jé, eu e a professora Ana Cláudia

Logo logo vou disponibilizar o debate aqui pra vocês ouvirem. Só falta corrigir alguns probleminhas técnicos dele :)

domingo, 6 de novembro de 2011

Foto do internauta - Gazeta do Paraná #4

Post rapidinho só para registrar mais uma foto minha que saiu na Gazeta do Paraná, dessa vez denunciando um "super buraco" na Rua Cuiabá, por onde eu passo todos os dias. O mais legal é que no mesmo dia que a publicação saiu (sexta-feira, 04 de novembro) eu passei novamente pelo buraco e ele estava tapado :) 

Com minha ajuda ou não, o que importa é que o problema foi resolvido!




terça-feira, 4 de outubro de 2011

Jornal Interativo

As matérias que publiquei nos últimos dias aqui no blog foram produzidas para o nosso projeto acadêmico impresso deste semestre: o Jornal Interativo. A cada edição mudamos de função e ao final das oito edições todos os acadêmicos terão passado pela pauta, reportagem, fotografia, edição e revisão, diagramação e distribuição. 



As edições que estão circulando agora são a 3ª e a 4ª e foi pra elas que eu produzi reportagens. Para a 3ª edição a matéria foi É inverno ou é verão?. Já para a 4ª edição fiz produção em dobro: Quantidade e qualidade não andam juntas na Câmara Municipal (matéria de capa) e O "espalha brasa" dos ringues.

O jornal tem distribuição gratuita e você encontra exemplares em supermercados, farmácias e na FAG :)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

É inverno ou é verão?

Nos últimos meses, o cascavelense se acostumou a sair de casa de manhã e ter que levar casaco e guarda-chuva. Afinal, está difícil saber de quanto será a variação na temperatura no decorrer de um único dia. Em agosto parece que presenciamos as quatro estações do ano. 

Essa sensação pode ser explicada pelas mudanças bruscas na temperatura. A Estação Meteorológica Davis Vantage Pro 2, localizada no Parque São Paulo registrou a mínima de 02,6ºC e a máxima de 30,8ºC em Cascavel no mês de agosto. 

Foto: Simone Lima
De acordo com o climatologista Lucas Fumagalli, a circulação de massas de ar explica as mudanças de temperatura na cidade. "No inverno, o avanço das massas de ar frio são mais frequentes e intensos na nossa região, devido à baixa radiação solar no hemisfério." Outro fator que colabora para as alterações do frio para o calor em pouco tempo é a localização de Cascavel. "A nossa região é uma zona de transição entre o clima tropical e o clima temperado, por isso é comum a grande variação de temperatura", afirma Lucas. 

Quem acaba sofrendo com isso é a nossa saúde. Junior Cezar Davantel, 24, conta que, em decorrência de um transplante de córnea e de alguns pontos que têm no olho, as mudanças na temperatura causam irritação, coceira e ardência. “Tenho que usar colírio se quiser ficar com os olhos abertos.” Além disso, quando o clima fica seco de uma hora para outra, Junior também sofre com a rinite alérgica. “As vias nasais ficam trancadas, com muita coriza e eu espirro bastante. Isso incomoda muito. Fica bem ruim trabalhar desse jeito”, revela. 

Jenisson Rotter Bearzi, 23, também não gosta das mudanças na temperatura. “Tenho rinite, meio crônica e meio alérgica. Cada vez que o tempo fica nesta indecisão de amanhecer frio, esquentar a tarde e esfriar a noite eu fico com o nariz entupido, a garganta doendo, coceira nos olhos, tosse, espirro, indisposição e um pouco de falta de ar”, conta. 

Com mais de 18 alergias já diagnosticadas, Bruna Lima, 20, sente agravar a rinite asmática com as alterações na temperatura que deixam o clima seco. "Chego a ficar sem ar, meu nariz arde muito, às vezes sangra e meus olhos geralmente ficam inchados", descreve. Para amenizar os sintomas causados pela combinação da rinite com as mudanças climáticas, Bruna tem alguns truques. "Durmo com toalhas úmidas na cabeceira da cama, faço uma solução de água, sal e bicarbonato de sódio para lavar a parte interna do nariz com uma seringa e lavo o rosto várias vezes ao dia". 

Mas, no mês de setembro poderemos respirar mais tranquilos. "Este mês a radiação solar aumenta bastante, com a aproximação da primavera. Assim, aos poucos, as massas de ar frio perdem força sobre o continente e se tornam mais fracas", adianta Lucas. Será que, enfim, poderemos aposentar os casacos?


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Foto do internauta - Gazeta do Paraná #3

Sou mulher. Logo, não dirijo perfeitamente bem (infelizmente a máxima machista é verdadeira). Mas, não sou mal educada no trânsito. Desde que me tornei uma motorista, a pouco mais de um ano, já presenciei cada bizarrice nestas ruas malucas de Cascavel! Poucos praticam o ato de 'dar a seta' e menos ainda a boa vizinhança.

Eu costumo ser bem tranquila com relação à isso. Pra algum motorista espertinho me tirar do sério é bem difícil. Mas, tem algumas atitudes que eu simplesmente não entendo. Dia desses, chegando ao trabalho, percebi que havia um carro estacionado em frente à entrada do nosso estacionamento, bloqueando a passagem. De longe fiquei com dúvidas, mas ao me aproximar vi que a falta de educação e bom senso eram reais. Não resisti e fotografei. Fotografei a placa do carro também, caso ele permanecesse ali por muito tempo e me forçasse a estacionar do lado de fora o dia inteiro.

Essa brincadeira de que "tudo que é proibido é mais legal" já cansou, né? O 'indivíduo' tinha a quadra inteira para estacionar, mas escolheu um dos únicos lugares em que isso era ilegal. Espero que ao ver a foto no jornal ele tenha, pelo menos, se envergonhado.



Saiu na Gazeta do Paraná do dia 02 de agosto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Foto do internauta - Gazeta do Paraná #2

Mais uma vez, uma foto de minha autoria foi publicada na Gazeta do Paraná.  Na edição do dia 16 de abril, a reflexão trata do desrespeito que os idosos sofrem no transporte coletivo.

O desrespeito 'senta' ao lado. É cena rotineira: os ônibus de transporte coletivo completamente lotados e os assentos ocupados por jovens, enquanto os idosos fazem todo o trajeto em pé.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

VT - Crescimento do comércio no bairro da FAG

Mais uma experiência televisiva... Essa, talvez, melhor que a primeira. O tema da reportagem é o crescimento do comércio no bairro da FAG, que de uns 2 anos pra cá 'inaugurou' novas mercearias, restaurantes, bares e lojas de bebida e conveniência, o que facilita bastante a vida dos acadêmicos que moram naquela região. Agradecimentos especiais ao professor Luiz Sonda, que me sugeriu a pauta, ao cinegrafista Luiz Padilha (vulgo Grilo) pela paciência, à Jéssica Moreira que foi a minha revisora e à todos que participaram da matéria :)


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Foto do internauta - Gazeta do Paraná

Uma foto de minha autoria foi publicada na página de Opinião da Gazeta do Paraná do dia 18 de fevereiro de 2011. Vale a reflexão... 

"Segurança ou medo? O que será que essa menininha está sentido? A Praça Wilson Jofre passou por uma 'grandio$a' reforma, mas apesar disso a diversão das crianças divide espaço com jovens que fumam e bebem por ali. Policiamento? Até tem... Mas é só de enfeite." 




quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Entre tesouras e pincéis - A rotina de um salão de beleza




Allan Machado e Nathália Sartorato

Capítulo 1

Quarta-feira, 18h15. Um horário em que quase todos os trabalhadores já encerraram o expediente. Quase todos. Atravessamos a cidade até o bairro São Cristóvão para acompanhar a rotina a que estão submetidos os profissionais que trabalham em um salão de beleza.


Assim que pisamos no ‘Salão de Beleza Anderson Cabeleireiro Unissex’ já percebemos um clima que misturava a alegria por ser ‘alvo’ de uma reportagem jornalística com o cansaço de mais um dia árduo de trabalho. Isso porque o salão é comandado apenas por duas pessoas: Anderson Alves Oliveira, 29 anos e Rochelle Adriana Sotti da Silva, 28 anos; marido e mulher. Ok, o fato de ter apenas duas pessoas trabalhando ali não seria tão determinante se o salão não oferecesse tantos serviços: corte, alisamento, tratamento, tintura, penteados e tudo o mais que se possa fazer com o cabelo, modelagem de sobrancelhas, unha (pé e mão), tratamento de pele e depilação.


O pôr-do-sol já estava se aproximando, mas o salão continuava cheio. Quatro clientes estavam sendo atendidos ao mesmo tempo: uma mulher que estava retocando a raiz, pois havia feito escova definitiva, outra mulher fazendo tratamento para redução do volume do cabelo, com alisamento semi-definitivo e tratamento especial para as pontas danificadas, um rapaz fazendo um ‘corte tradicional’ no cabelo e uma última mulher ‘na fila’ para o alisamento.


Rochelle, chamada pelos clientes de ‘Rô’, nos conta que o salão existe há seis anos e que sempre foi uma correria. “A gente começa a atender às oito e meia da manhã e vai até a hora que tiver cliente”. Nesse momento uma das clientes nos interrompeu para contar que uma vez ela ficou até às três horas da manhã no salão. “Eu vim lá de São Paulo e esse é o primeiro salão realmente bom que eu encontro. Aí vale o sacrifício”, justifica sorrindo.


Como se já não bastasse o ritmo acelerado que o salão impõe, Anderson e Rochelle também têm dois filhos pequenos: o Dudu, que tem 6 anos e a Daphne, com apenas 2 anos. O menino logo se ‘desinibiu’ em frente à nossa câmera fotográfica e começou a fazer ‘caras e bocas’ e a chamar a atenção com seu gingado de capoeira. Falante e bagunceiro, Dudu não dá sossego: pega os produtos do salão e começa a passar no cabelo, fazendo com que a Rochelle tenha que interromper o atendimento a uma das clientes para ‘acudir’ o filho. O argumento para convencê-lo a não fazer bagunça é certeiro: “pode ir brincar no computador”.


Porém, a calmaria durou pouco. Alguns minutos depois ele volta a falar sem parar, em um tom de voz bastante alto para a sua idade. “Sou famoso, querem me entrevistar? Já dei entrevista pra um monte de coisa: pro SESC, pro Batatinha.” O casal, é claro, já se acostumou com a presença do filho no salão. “Melhor ele aqui dentro do que lá na rua”.


É, nisso eles têm razão. Aos primeiros indícios do anoitecer, Anderson tranca o salão com um cadeado e nessa hora perguntamos se eles não têm medo de trabalhar até de madrugada, e a resposta foi rápida: “nós sabemos que é perigoso, mas não tem outra opção”.


Mesmo com as portas já fechadas, chega uma moça querendo cortar o cabelo do filho. Anderson a recebe pacientemente e explica que ele até consegue atendê-la, mas ela vai ter que esperar algumas horas. Ela desiste, mas promete voltar no dia seguinte. Recusar clientes não é uma coisa que o Anderson faz com freqüência. “Até no domingo a gente atende, mas aí tem que pagar muito bem”, brinca.


Apesar da rotina acelerada que eles enfrentam, o bom-humor do casal parece inabalável. Enquanto Rochelle reclama que eles não têm tempo para cuidar da família e nem ao menos para ir ao mercado, Anderson brinca dizendo que para ele a grande desvantagem é que “a mulher não faz almoço”. E a alimentação é realmente algo que eles deixam de lado. “Geralmente faço só uma refeição por dia, que é almoçar em algum restaurante. Na janta sempre comemos pizza. Não dá para largar o salão e sair para jantar, né?”.


Anderson ingressou nesse ‘mercado da beleza’ há 14 anos e Rochelle há seis anos. Mas, o salão de beleza não é o ambiente de trabalho dos sonhos do casal. “A gente queria ter uma clínica de estética para trabalhar como cirurgiões plásticos. Mas sabe, né? Pobre não tem dinheiro para estudar em faculdade e colégio particular. E eu também não tenho inteligência pra isso.” O salão atende a camada dita mais ‘popular’. Os cortes femininos variam de 15 a 30 reais e os masculinos de 6 a 10 reais.


Se tem uma coisa que não poderia faltar em um salão de beleza é a tal da fofoca. E como ali todo mundo se conhece, o papo rolava solto. Algumas histórias contadas por eles chegavam até a assustar, como a da mulher que apanha do marido e tem medo de denunciá-lo. “Isso não é nada perto de outras histórias que as clientes contam. É cada coisa que a gente tem que escutar”. Pelo visto, além de cabeleireiro, o Anderson também ataca de psicólogo nas ‘horas vagas’, tudo para agradar a clientela.


As horas iam passando e o trabalho parecia não terminar. Acompanhamos o casal por mais de três horas. Durante todo esse tempo, o Anderson e a Rochelle sentaram por apenas alguns minutos. “É, a vida é sofrida. Nosso descanso é raro”, afirmam.


Quando estávamos nos preparando para ir embora e dando por encerrada a reportagem, eles nos convidam para voltar no sábado, que é um dia bem mais movimentado. Agradecemos o convite e avisamos que os dois outros repórteres viriam. Nos despedimos e deixamos o salão, impressionados com a alegria do casal, que também nos contagiou.



Amanda Ramos e Douglas Fernando

Capítulo 2


Em um sábado, desses que dá vontade de ficar em casa assistindo TV e comendo brigadeiro de panela, lá fomos nós. A aventura começa no ponto de ônibus, pois nem sabíamos ao certo que outro ônibus teríamos que pegar para chegar ao destino final. Com a ajuda de motoristas e cobradores, chegamos ao salão do Anderson, uma hora após o inicio da trajetória.


As apresentações mal foram feitas e já recebemos cobranças por parte do Anderson: “seguinte, vão tirando a jaquetinha e os óculos porque vocês vão limpar tudo. Não, eu não tô brincando. Vamos! Vamos!”. Nós nos entreolhamos e pensamos: em que enrascada a gente se meteu? Mas, em seguida, ele abriu um sorriso e disse que tudo não passava de uma brincadeira. “Só uma assustadinha pra ver se vocês continuariam aqui”.


De repente, uma voz um tanto quanto estridente nos chama a atenção. Eis que surge um menino magrinho, moreno, aparentando ter seis anos e com muita, mas muita energia. Enquanto ginga capoeira, come, bebe e fala alto no salão, seus pais continuam o trabalho que parece árduo.


Um dos nossos primeiros questionamentos é com relação a parte financeira, mais rapidamente Dudu, o menino espoleta, responde: “ah, ele não me dá nenhum real.” Anderson e Rochelle nos explicam que não sabem nem quanto entra de dinheiro por dia, já que um setor financeiro organizado é uma coisa que nunca existiu por ali.


Enquanto isso, um cliente fazia depilação no rosto. Percebemos que ele era um tanto metrossexual. Quase não falava. Vestia uma camisa roxa listrada, cheia de lantejoulas coloridas. Ficou no salão durante as quatro horas em que permanecemos ali. Ele já tinha feito luzes, corte, alisamento e agora esperava pela sobrancelha. Era a Rochelle que o estava atendendo com muita agilidade e precisão, embora às vezes se queixasse: “que cansaço! Hoje eu não queria nem sair da cama”. Anderson completa: “quem acha que vida de cabeleireiro é fácil, está muito enganado!”


Uma das coisas que nos chamou a atenção foi o fato de 90% dos homens que frequentam o salão pedirem para fazer a sobrancelha. Rochelle confirma, dizendo que “todos os homens que vem aqui pedem [para fazer a sobrancelha]. É muito difícil um homem que venha aqui e não peça.”


E no meio das epifanias do simples salão de Anderson, aparece o menino Gustavo. A mãe estava nervosa. Motivo? O filho de quatro anos cortou o cabelo com uma tesoura. Ele quer ser cabeleireiro e reafirma para a mãe que irá cortar de novo. Com uma cara de bravo, ele mal quer saber das explicações de Anderson, mas acaba saindo contente com o resultado. “Ficou bonito, não vou precisar mais ficar careca!”, comemora. Em seguida, aparece outro menino, mas esse, ao contrário, adora visitar o salão. A mãe desloca-se do Country para que ela e o filho possam repaginar o visual.


A mulherada que já conhece o salão há algum tempo sabe que ali o trabalho é corrido. Para ajudar, algumas clientes se ‘auto-atendem’. Foi o caso de uma menina que apareceu na porta do salão. Ali perto estava a única tomada 200 watts, em que funcionava o secador. O cabeleireiro deu as coordenadas: “pega aí e pode usar. Mas é só secar e pronto”.


O clima estava ótimo até cutucarmos uma ‘casca de ferida’. E os erros? Já aconteceram aqui? “Sabe, aqui a gente faz só se for pra dar certo. Se for pra fazer ‘cagada’ ninguém faz. Já aconteceu de uma cliente nossa botar outra coloração no cabelo e ficar simplesmente descontrolada”. Para que o cliente não tenha motivos para reclamar, o Anderson sempre fotografa o ‘antes’ e o ‘depois’ de qualquer corte ou tratamento capilar que ele faz.


Observando as expressões de cansaço que o casal apresentava, perguntamos se eles já tentaram contratar mais pessoas para ajudá-los nos serviços. “Já até cansamos de tentar. Seis manicures já passaram pelo salão, mas nenhuma deu certo. Teve uma que dizia para as clientes que unhas grandes davam mau cheiro e que, por isso, deveriam ser cortadas. E muitas das clientes se revoltaram”, conta Rochelle.


Já eram quase seis e meia da tarde quando deixamos o salão, que continuava ‘fervendo’. O telefone tocava sem parar, clientes chegavam a toda hora e o casal se desdobrava para atender a todos, em mais um dia de trabalho que, pelo visto, estava longe de terminar.

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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Um sorriso bem brasileiro

Muito trabalho, pouca educação, mas uma simplicidade e felicidade que dão inveja! Dona Edenir é um personagem quase invisível da vida de vários brasileiros.



O Condomínio Residencial Rio Verde se localiza na Vila Tolentino, bairro de classe média de Cascavel. Apresenta oito blocos, de quatro andares cada, com dois apartamentos por andar, cujo acesso se dá apenas através de escadas. São mais de 120 moradores que entram e saem todos os dias. A difícil tarefa de manter todos os ambientes limpos pertence a uma mulher simples, de meia-idade, que usa sempre os cabelos escuros presos e uma roupa básica, como camiseta e short jeans. 

Dona Edenir, como é chamada pelos moradores, trabalha como zeladora no Condomínio a seis anos. Está sempre com a vassoura na mão e um sorriso no rosto. Dificilmente se queixa de algo, mesmo nos dias mais quentes, chuvosos ou quando a criançada faz aquela sujeira.
Edenir Vaz da Luz e seus oito irmãos nasceram em Campo Mourão, cidade com cerca de 90 mil habitantes. A infância não traz boas lembranças. A vida sempre foi muito difícil. “Meus pais sozinhos não davam conta de criar os nove filhos, então eu e todos os meus irmãos começamos a trabalhar desde pequenos.” A educação ficou prejudicada e ela completou apenas a 5ª série. “Meus irmãos tiveram mais sorte que eu e hoje alguns são até formados.”

Há 16 anos ela, os quatro filhos e o marido - o Seo Alcebíades, que também trabalha no Condomínio prestando serviços de jardinagem; mudaram-se para Cascavel na esperança de ter uma vida melhor. Aqui ela trabalhou como diarista em diversas casas de família. “Todos os dias eu tinha alguma casa para limpar. Às vezes era no Guarujá, outras vezes no Centro ou na Neva. Não sobrava nenhum dia da semana livre”. Na época o salário mínimo girava em torno de R$400,00 e ela conseguia tirar um pouco mais que isso por mês. Para uma família com seis pessoas a renda passa longe de ser ideal, mas ela não se queixa. “As famílias sempre eram muito boas e com o que eu ganhava dava para sustentar a casa”.

Apesar de não reclamar dos anos de diarista, ela confessa que prefere o trabalho de zeladora. “É mais tranquilo e a maioria das pessoas aqui é gente boa”. É, mas infelizmente a maioria não são todos. Dona Edenir se entristece ao falar da discriminação que sofre por parte de alguns moradores. “Muitas pessoas não valorizam os profissionais da limpeza. Às vezes olham pra gente com um ar arrogante, como se a gente fosse inferior a eles. Outros nem sequer cumprimentam.”

Os olhos se encheram de lágrimas quando ela relembrou um dos casos que mais a magoou em todos estes anos de serviços prestados ao Condomínio. “Foi bem constrangedor quando alguns objetos que os moradores deixavam na porta dos apartamentos começaram a sumir e eu fui a primeira pessoa que eles culparam. Esse tipo de coisa é que deixa a gente chateada”.

A profissão exercida hoje não era a que ela sonhava em seguir quando era pequena. “Eu queria ser professora para ajudar as crianças a ter uma educação melhor, para que elas não ficassem nas ruas correndo perigo.” Como não pode realizar esse sonho, ela se dedica à educação dos dois netos, uma menina e um menino. “A gente sempre tenta fazer de tudo pra que eles tenham uma educação melhor do que a nossa”.

Aos 53 anos de idade, Dona Edenir se diz uma pessoa feliz com a vida que leva. “Tenho minha casinha e com o salário de zeladora dá pra criar a família. É claro que eu mudaria muita coisa se pudesse, mas desse jeito está bom”.

O trabalho para ela é como uma terapia. “Faz bem até pra minha saúde. Antes eu ia no PAC uma vez por semana tomar injeção para controlar a pressão, mas depois que comecei a trabalhar eu só precisei voltar lá uma única vez.”

Assim como a maioria dos brasileiros, ela e a família não possuem plano de saúde e reclamam do atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Cascavel. “A saúde aqui é bem precária, ainda tem muito o que melhorar.”

Outra coisa que ela também acredita que pode melhorar na cidade é a limpeza das ruas. “Acho tudo muito sujo”. E olha que disso ela entende. Afinal, quando não está trabalhando no Condomínio está trabalhando em casa. “Nos finais de semana minhas filhas me ajudam e a gente faz uma faxina, limpa tudo lá em casa.”

Mesmo com o sorriso estampado no rosto, Dona Edenir não esconde o desejo de se aposentar. “Ainda preciso de mais cinco anos de trabalho com a carteira assinada. Depois disso vou curtir bastante meus netos, ver eles crescendo”.

É, mas se os anos custam a passar, os minutos que ela gentilmente cedeu para esta entrevista passaram rápido demais. “Preciso voltar ao serviço agora, se não não dou conta de terminar tudo hoje”, disse ela, um pouco sem jeito por ter que encerrar a conversa.

E lá foi a Dona Edenir, carregando o balde em uma mão, a vassoura na outra e sustentando sempre um sorriso no rosto. Sorriso este que marca uma vida cheia de dificuldades e muito trabalho, mas que ao mesmo tempo revela uma felicidade e simplicidade tão verdadeiras que causariam inveja em muita madame por aí, que costuma não perceber a vida que se esconde por trás destes personagens invisíveis do nosso dia a dia.

terça-feira, 27 de julho de 2010

A desconhecida ética policial

Nos últimos meses ouvimos com bastante frequência as pessoas comentando sobre as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro. Aparentemente, a notícia agradou a boa parte da população brasileira, mas deixou com uma sensação de medo e insegurança diversos outros países. O motivo para isso é uma velha conhecida da cidade “maravilhosa”, a tal da violência, que já se tornou nosso “cartão-postal”. 

Essa imagem negativa que o Brasil possui lá fora é completamente justificada pela interminável guerra do tráfico que se manifesta nos morros cariocas e que a cada ano contabiliza mais mortes de inocentes. Em meio a esse cenário de batalha entre bandidos e policiais é necessário levantar uma questão: até que ponto podemos confiar nos serviços prestados pelos policiais militares do Rio de Janeiro para garantir a segurança de todos durante e depois das Olimpíadas? Afinal, policial que se sujeita a vender armas para traficantes, que negocia com eles em troca de dinheiro e drogas e que, até mesmo, comanda o tráfico nos morros não está a serviço de outra pessoa a não ser dele mesmo.

Ética é o valor que esses profissionais ainda desconhecem e isso precisa ser mudado, começando pela sua formação inicial, onde muitas vezes são orientados por pessoas sem qualificação alguma, que são escolhidas pelo critério da amizade e do favor e que não estão preparadas para a responsabilidade que é formar “defensores de uma sociedade”. É inadmissível que a polícia que mais mata no Brasil ofereça apenas 12 horas de “Ética e Direitos Humanos” na formação básica, o que corresponde cerca de 1% das 1.160 horas de instrução.

Mas, indiferente a esse fato, a ética deveria ser uma qualidade inerente a qualquer profissional, principalmente aqueles que têm o dever constitucional de preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas, respeitando a integridade física, moral e psíquica do condenado ou ainda de quem seja objeto de discriminação e agindo com isenção, equidade e absoluto respeito pelo ser humano, não usando sua autoridade pública para a prática de arbitrariedade, como está previsto no Código de Ética dos Policiais.

Infelizmente, não é essa postura que observamos. Situações em que policiais militares cometem atos de corrupção e abusos de poder são assustadoramente comuns. Se aqueles que deveriam servir às leis em defesa do cidadão estão infringindo elas, quem garantirá a nossa segurança?

Para reverter esse quadro é preciso atingir a raiz do problema, que é o nosso sistema político e governamental. A falta de ética parece agir como um vírus se espalhando rapidamente e contaminando a todos, até mesmo aqueles que se diziam imunes. Parte dos superiores para os subordinados, e assim afeta todas as classes de poder da sociedade. Falta de ética na polícia recebe outro nome, esperteza. E é justamente essa esperteza que suja o nome do Brasil. Ou você acha que os demais países consideram um ato realmente esperto tirar a vida de inocentes, financiar todas as causas da violência e promover uma guerra diária? A presença dos policiais militares nos morros cariocas causa mais medo à população do que a ausência deles, até mesmo porque essa presença já está associada a tiroteio, balas perdidas e mais inocentes mortos ou feridos. Imaginem então como os estrangeiros vão se sentir durante as Olimpíadas, com essa imagem persistente que eles têm da falta de segurança brasileira.

A situação da violência precisa ser resolvida agora. A população não pode esperar por mais seis anos! Se isso não começar a mudar hoje o Rio de Janeiro não terá condições de receber um evento internacional desse porte. Precisamos de policiais inteligentes, humanos e éticos que tenham como único objetivo estar a serviço do cidadão e garantir a sua segurança. Acho que isso não é pedir demais.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Alto Bela Vista: um lugar estranhamente bonito

É estranho pensar que um lugar possa resistir à urbanização a mais de 40 anos. Estranho pensar que um vilarejo possa abrigar habitantes tão gentis e hospitaleiros. Estranho pensar que as casas não tem cerca e as roupas amanhecem no varal. Estranho pensar que um lugar não tem policiamento pelo simples fato de não ter criminalidade. Estranho pensar que o luxo e o dinheiro deixam de corromper as pessoas, que estão mais preocupadas com felicidade e tranquilidade. Estranho pensar em um lugar que não é escravo do tempo, onde a pressa não move as pessoas. Estranho pensar em um lugar onde as pessoas são saudáveis e não são dependentes de consultas, terapias e remédios. Era estranho pensar que esse lugar pudesse existir. Mas existe.

Bem-vindo à Alto Bela Vista (SC). O lugar mais 'isolado' que eu já conheci. Possui apenas uma madeireira (a atividade econômica que movimenta o vilarejo), uma escola, uma 'vendinha', uma igreja, um cemitério e algumas dezenas de casas de madeira e de pessoas realmente felizes.









Fotos por Raquel Pratti.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O buzão nosso de cada dia

Segunda-feira é sempre um dia indesejável. É sinal de que o fim de semana já acabou e está o mais longe possível de chegar novamente. A cansativa rotina de atividades precisa ser retomada, mas a disposição não é lá aquela coisa. Você quer dormir até mais tarde e trava uma briga de aproximadamente 15 minutos com o despertador e quando se dá por vencida percebe que já está atrasada e aí começa a correria! É escova de cabelo em uma mão, café na outra, a primeira roupa que aparecer no armário, uma escovada rápida nos dentes e pronto. Você olha para o relógio e constata que tem apenas cinco minutos para subir (e que subida!) até o ponto de ônibus. Começa uma espécie de meia maratona particular de quatro quadras, com tempo limitado para completar o trajeto. Seu sedentarismo pesa muito nessas horas. Quando o objetivo parece estar próximo de ser concluído o seu ônibus passa descaradamente na sua frente e ainda faz questão de dar uma “buzinadinha” para você ter certeza que ele vai embora sem te esperar.

Seu atraso agora já alcançou os limites toleráveis e você consegue visualizar a bronca que levará do seu chefe. Já que nada mais pode ser feito você senta, arruma os cabelos novamente e espera pelo próximo ônibus. Como de costume, chega uma velhinha e ela puxa assunto sobre o “tempo”. Você responde, educadamente, as mesmas coisas que sempre respondeu a respeito do tema. Depois de 15 minutos o ônibus chega. Lotação seria um apelido carinhoso para ele. É humanamente impossível que mais alguém entre! Mesmo assim você realiza a façanha e vai colada ao vidro da frente, batendo um papo com o motorista.

Quando chega ao terminal você leva cinco minutos só para sair do ônibus. Tempo necessário para perder o outro ônibus também. A essa altura você já começa a planejar detalhadamente a cena do acidente que contará ao seu chefe. O próximo ônibus chega e você, felizmente, consegue sentar-se. A felicidade dura pouco, pois o pior ainda estava por vir. Dois minutos depois alguns garotos entram e sentam atrás de você, com o volume do celular no máximo e ouvindo músicas de um péssimo gosto. Algo do tipo “Pra pará de pé é muita treta vixi, é muita treta vixi...”. São 15 minutos de tortura mental. Um fone de ouvido nunca foi tão bem-vindo!

Você chega ao destino e recebe a melhor notícia do dia: o chefe ainda não chegou. Um suspiro de alívio escapa, seguido de um sorriso. Agora você tem as próximas oito horas do dia para se recuperar psicologicamente do tortuoso trajeto. Até porque, amanhã começa tudo de novo.
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Minha primeira crônica! :)

 
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